Thursday, March 16, 2006

13 Teses da FAGTL

- A FAGTL deseja e antecipa o Grande Terramoto de Lisboa e Vale do Tejo. Na expressão Grande Terramoto encontramos também todas as micro forças sociais, políticas e biofísicas com potencial destrutivo.

- A FAGTL não existe. Existiu e existirá. Como o Grande Terramoto, vive no passado e no futuro.

- A FAGTL não discute mais a cidade, destrói-a. O urbanista é fascista, o arquitecto um prospecto, o engenheiro um coveiro.

- A FAGTL tem um carinho especial - quase pedófilo mas não paternalista - por aqueles miúdos de tez morena que resolveram começar a queimar carros, escolas e centros comerciais pela Europa fora.

- A FAGTL quer ir à praia e ao campo que estão debaixo do betão.

- A FAGTL não critica a divisão, e consequente especialização, no trabalho. Ela é especialista em detonações, vibrações e furacões.

- A FAGTL não é catastrofista, é uma catástrofe.

- A FAGTL não é atingível. Os dispositivos policiais convencionais, assim como os meta-policias não percepcionam a sua existência e acção. É o homem invisível porque todos os homens são agora invisíveis e porque já ninguém é homem.

- A FAGTL não nega a arte, nem a política, nem a academia. A FAGTL arrebanha toda a arte, toda a política, toda a academia. É mais um monstro das bolachas que um higiénico e coerente asceta.

- A FAGTL é entrista, parlamentarista, sectarista, boatista, virtuosista. Joga imenso com as ancas e finge, mente, rouba.

- A FAGTL avança sempre as casas que lhe apetecer, destrói a prisão, assalta o banco e compra o Rossio.

- A FAGTL tem múltiplas tácticas, mas apenas uma estratégia: ganhar.

- A FAGTL não tem pressa: ri-se no tempo dos homens, mas espera no tempo geológico.

3 Comments:

Blogger heykal said...

A cidade treme.

A já reconhecida FAGTL (Frente pela Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa e Vale do Tejo) tem levado a cabo nos últimos dias uma série de acções de sensibilização pela capital. Contando já com o apoio de alguns milhares de habitantes da Área Metropolitana de Lisboa, a FAGTL pretende que o "esperado" terramoto ocorra o mais rápido possível. "Precisamos de fazer reset neste sítio" afirma, em tom de brincadeira, João Silva, engenheiro informático e um dos grandes impulsionadores da Frente, "Já que o terramoto tem que acontecer, que aconteça já para que possamos começar realmente do zero. Estamos fartos de tapar o sol com a peneira e não é com mais merda que se disfarça a merda feita desde à séculos. Por cima dos destroços florescerão árvores de fruto capazes de alimentar milhares de sobreviventes." O encontro da FAGTL desta manhã, no Terreiro do Paço, levou a violentos confrontos com a Polícia uma vez que membros do grupo pretendem começar já com a destruição da arte pública lisboeta mesmo antes do terramoto se fazer sentir: "Poupamos trabalho à Mãe Natureza" ouviu-se entre os cânticos de chamamento a esta catástrofe natural.

Segundo João Silva: "Os treze pequenos sismos ocorridos na semana passada comprovam sobretudo a eficácia de algumas das medidas que temos vindo a tomar nos últimos meses e que passam sobretudo por persistentes saltos colectivos a determinadas horas combinadas. De facto, a simples acção de saltos simultâneos de centenas de pessoas é suficiente para reajustar as placas tectónicas."

Para a semana estão agendados saltos para as seis da madrugada de terça e quinta feira bem como acções de sensibilização pela baixa lisboeta que incluem a destruição de "rotundas e praças decoradas de forma considerada obsoleta".

8:14 AM  
Blogger heykal said...

(DOSSIER FAGTL)
O debate na FAGTL: Não discutimos mais a cidade. (João Silva)

Contenta-me, sinceramente, observar uma curiosidade crescente dos cidadãos em relação às propostas de destruição massiva da porcaria urbanística em que se tornou esta cidade.

Ocorreu-me que seria interessante transportar para aqui o debate profícuo que se vem desenrolando na Frente (FAGTL).

Em primeiro lugar, e como reacção à entrevista que fiz a Karim Yuef, considero errado dar prioridade a uma estratégia em detrimento de outra. Parece-me possível e útil desenvolver em paralelo, como o temos feito aqui em Lisboa, a promoção de desastres naturais e o início efectivo da destruição efectuada em pequenos grupos.

Na próxima reunião, a realizar nas nossas instalações na Av. da Liberdade, vamos trabalhar uma nova proposta de acção: a implosão energética do Túnel do Marquês, através de um cordão humano ayurvédico galvanizado mediante técnicas arcaicas do êxtase (percussão, psicotrópicos, fé religiosa, etc)

Por outro lado, dentro da estratégia do “aqui e agora”, confrontam-se, desde as semanas paradigmáticas em Paris, duas posições: de uma parte os que defendem propostas recuperadas das origens do primitivismo (o selvagismo do séc. XIX), e que pretendem a invasão da cidade pela mata de Monsanto, através da destruição e plantação sobre o entulho de novas florestas. Querem ver a erva a crescer de novo e indicam que a plantação de certas árvores de raiz perfurativa mantém uma factor destrutivo ao longo dos anos. Na outra parte, onde eu me encontro, defendemos uma migração destrutiva dos subúrbios e guetos no sentido de Monsanto e do Centro da capital, achamos que de momento, e perante uma certa urgência, deve-se jogar com potencial antagonista gerado nas periferias, e que então depois as replantações surgiram com naturalidade

Não podemos aceitar viver mais assim. Não discutimos mais a cidade, destruimo-la.

8:17 AM  
Blogger heykal said...

(DOSSIER FAGTL)
FAGTL no Expresso.

Noticia retirada do expresso online (não tem link porque só têm acesso os assinantes)

PJ encontra na internet documentação importante relativa a militantes catastrofistas activos em Lisboa.

Num comunicado de imprensa assinado pelo inspector-chefe Pintinha Carvalhão a PJ afirma ter interceptado informação importante relativamente a movimentos dos catastrofistas activos em Lisboa.

Segundo a PJ a FAGTL (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa) , a organização guarda chuva que reúne as diversas tendências do catastrofismo, tem estado activa nos últimos meses e é responsável pela maioria dos mais recentes abalos sentidos na capital. “os catastrofistas vão mais além do que o resto dos movimentos antagonistas em Portugal, são uma verdadeira ameaça à segurança nacional dado o peso histórico do seu movimento” disse Pintinha ao repórter do Expresso, “as nossas investigações indicam que há cerca de quinhentos militantes que tentam de forma autónoma organizar pequenos tremores de terra e cerca de setenta mil simpatizantes sombra que estão só à espera de sinais da chegada do almejado terramoto”. Os pequenos grupos que agem independentemente uns dos outros são por vezes tão pequenos como duas pessoas e as suas acções localizadas em pontos físicos delimitados “O modus operandi dos catastrofistas assenta mais na multiplicação das acções pequenas do que numa movimentação centralizada, e é isso que os torna temíveis.”

Excertos da documentação foram disponibilizados aos média: num parágrafo de um e-mail captado “Bafinhos” diz a “Maria Puré” que os “Putos com buço” estão a preparar um salto que abane uma famosa galeria/sala de concertos do Bairro Alto. Em outro “Naifadas” última preparativos com “China” para a operação “bué” que a PJ suspeita que tenha a ver com a sabotagem dos mecanismos anti-terramoto do Forúm Picoas, um outro grupo planeia assaltar o oceanário no dia do terramoto para oferecer à população peixinho grelhado no redominado “Parque das Monções”. Mais o mais interessante será um esboço de comunicado que a PJ afirma não saber quando será revelado, assinado por FAGTL/CVR (Frente para a Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa / Comando Viva Richter) de onde retiramos alguns excertos: “A cidade rizomática pré terramoto I foi substituída pela cidade pombalina burguesa e dada às artimanhas do poder, será necessário um novo terramoto para devolver Lisboa aos devires multitudinários”, “O regime biopolitico vê a cidade como um corpo que é controlado por um orgão central, a Câmara Municipal, nós propomos o contrário, entender o corpo como uma cidade, e está na altura dos corpos dançarem Lisboa ao som do Rock”, terminando com uma sentença aos que chamam responsáveis pela mediocridade existencial e urbana da cidade: “Burgueses, advogados, deputados! Designers, cineastas, arquitectos! Intelectuais engagê com xulé, artistas de vanguarda nacional republicana, activistas e militantes de Base e Rimmel! Bloquistas, comunistas, socialistas, policias, soldados! TREMEI (literalmente) ! TREMEI (sic) ! Catástrofe ou Barbárie!”.

8:18 AM  

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